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Receita com exportações de carne do Brasil cresceu US$ 4 bilhões em sete anos
A receita com exportações no setor saltou de US$ 1 bilhão em 2001 para mais de US$ 5 bilhões neste ano. Mas para chegar até estes números, a indústria da carne no país passou por muitas mudanças. Este é o assunto da série de reportagens sobre o novo perfil dos frigoríficos brasileiros que você acompanha a partir desta segunda, dia 1º, no Agribusiness, às 8h30min.A indústria brasileira da carne tem pouco mais de 70 anos. Nasceu com a entrada de frigoríficos internacionais, na década de 40, que enxergaram no país um potencial concorrente para a Argentina. Naquela época, os vizinhos dominavam a produção e a exportação de proteína animal. Foi então que companhias estrangeiras instalaram fábricas no Brasil e passaram a exportar principalmente carne industrializada.– Elas se instalaram entre os anos 30 e 40, se desenvolveram e trouxeram padrões de qualidade e inspeção característicos de suas unidades de origem, que eram européias, principalmente. Isso funcionou até que os mercados da Europa e dos Estados Unidos conseguiram auto-suficiência na produção de carnes e se transformaram até em pequenos exportadores. Austrália e Canadá entraram neste mercado – conta o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Sérgio De ZenA concorrência aumentou, mas junto veio a disposição dos brasileiros em continuar avançando na pecuária.Nos anos 60, a indústria da carne passou por um processo de nacionalização. Com o financiamento facilitado pelo setor público, centenas de frigoríficos surgiram no Brasil. Mas, com projetos mal concebidos e mal administrados, quem não tinha capital de giro quebrou. No fim da década de 90 as empresas que resistiram à crise encontraram um grande potencial no mercado de carne resfriada e congelada. O ritmo de exportações começou a crescer.– Surgiu uma nova geração, que hoje são os frigoríficos líderes mundiais em termos de produção de carne no mundo: Friboi, Marfrig, Independência, Minerva e Bertin – diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Roberto Giannetti da Fonseca.O ex-ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes lembra que nos últimos anos cortes resfriados mais nobres conquistaram mercados.– Saímos de exportadores de carne enlatada para exportadores de toda a cadeia produtiva.Com o avanço destas empresas, a indústria frigorífica foi ganhando força no país. Em 1999 surgiu o problema da doença conhecida como vaca louca na Europa. No mesmo ano, a febre aftosa atingiu a Argentina e os compradores tiveram que buscar novos mercados. Foi a chance dos brasileiros.– Nós aproveitamos o episódio da vaca louca para mostrar para o mundo o nosso boi de capim, e o boi de capim brasileiro começou a ocupar espaço no mundo todo – lembra Pratini.Aproveitar a oportunidade abriu para o Brasil mercados como o Oriente Médio e o leste europeu.– Em 2001 já éramos o maior exportador – diz De Zen.Para atender ao exigente mercado internacional e ampliar a capacidade de produção e abate, a indústria da carne precisava investir. Mas o Brasil não tinha linhas de financiamento em volume suficiente para suprir a demanda dessas empresas. A saída foi buscar recursos no mercado externo, com a emissão de títulos de dividas. As empresas então começaram a se preparar para mais tarde vender ações na bolsa.– Elas passaram por um processo de evolução corporativa. Primeiro adotaram regras de governança, auditoria, transparência nas contas. Sofisticaram seus métodos de gestão até pela informática e a partir daí se qualificaram para uma oferta pública de ações – explica Gianetti da Fonesca.Conforme o pesquisador Sérgio De Zen, foi aí que as empresas passaram a crescer de novo, comprando mais empresas em outros países e novas linhas de produtos.– Assim chegamos ao status que temos hoje.Com boa oferta de pastagens, produto de qualidade e baixo custo, o Brasil não perdeu mais espaço. E nem mesmo depois de superado o problema da vaca louca, a Europa conseguiu retomar os mercados. O Brasil exporta hoje quatro vezes mais carne bovina do que vendia há sete anos. O volume embarcado saltou de 500 mil toneladas em 2001 para dois milhões de toneladas neste ano. A receita subiu de cerca de US$ 1 milhão para mais de US$ 5 bilhões no período. Os números consolidaram o Brasil como o maior exportador de carne e o país com o maior rebanho comercial do mundo.Nesta terça você vai ver como foi a entrada dos frigoríficos na bolsa de valores e qual o balanço da participação da indústria da carne no mercado de ações.